quarta-feira, abril 18, 2007

Um prémio!

vim em agradecimento a alguém muito especial que muito tem feito para a blosfera se tornar cada vez mais divulgada e também muito se tem esforçado para engrandecer a poesia portuguesa! Claro que me refiro ao blog Poesia Portuguesa que me atribui o Award Thinking Blogger, agora vou ter de limpar e arejar bem esta cabana que se manteve aberta, mas com a minha ausência. sorte minha pois todos colaboraram com a vossa entrada e mantendo-a a brilhar mais que nunca, com os vossos deliciosos comentários. agora mãos à obra, ao aceitar este prémio vou ter que distinguir cinco blogues meus preferidos. o pior é que são muito e muito mais de cinco os blogues que aprecio, onde vou regularmente, mesmo sem os comentar, mas gosto de lhes sentir o sabor dos deliciosos momentos que partilham.

dou voltas à cabeça, toco piano, na mesa, com as pontas dos dedo até sentir formigueiro e não sei por onde começar.

Mas regras são regras e tem que ser, sem ordem nenhuma, só porque me vão vindo à memória distingo:


Além de Mim-Dulce a poeta, a escritora, a doçura em palavras que nos deixa

Refúgio... a poesia que se saboreia e tem o doce cheiro da mais bela rosa

Leonoretta – Leonor a menina dos improvisos, das letras bem tratadas

vida de vidro – palavras que se soltam e encantam a vida

Nilson Barcelli – um poeta que sabe bem ler e prima pela sua qualidade


desculpem não ficava com a minha consciência tranquila se não desse pelo mérito, pela sua persistência e grande força de vontade a alguém especial para mim e para muitos aqui na blosfera, uma menção honrosa e que me desculpe a Poesia Portuguesa à:

margusta – a menina do mar, com cheiro a maresia, que tão bem sabe poemar

um agradecimento muito grande à Poesia Portuguesa, pois tem feito um belíssimo trabalho na divulgação da poesia portuguesa, quase na integra de poesia que se faz na blosfera,

com um abraço terno e cheio de carinho deixo:

o silêncio caminha nos sonhos

entra na alegria da simplicidade.


escuta o canto inabalável de viver.

espalhasse nas páginas brancas,

onde o calor dos dedos se sente

para nascer das folhas invisíveis

o amar em frases sentidas


então a rosa abre com a força da vida!



l.maltez




domingo, abril 01, 2007

desci a noite!




caminhei pela borda da noite

para lhe cerzir a luminosidade,

remendei o nada.

com a fragilidade dos sentires

e com a invenção da palavra,

varri a imaginação.


matei a sede na poeira da desolação.

adormeci envolvida na imagem

dentro dos sons da cidade nua.

as voltas do tempo

levaram-me a ti.

foi breve o olhar

no crepúsculo inesgotável.


desci a noite

nas mãos da alvorada



l.maltez

sexta-feira, março 16, 2007

homem




o homem entrou carregado de sombras
foi lugar no instinto dos sons da noite
e entrou no lado errado da rua.
o homem sentou-se esgotado
sentiu frio,
sabores
e desejos.
sonhou!
o banco era a sua casa,
suja, húmida, sem calor.
navegou no vento,
com remos de prazer
cortou as veias à vida,
e o sangue aqueceu-o.
traiu o amor
num corpo desconhecido.
desejou um rosto aberto
atravessado na paixão
do precário silêncio.

o homem sentiu-se homem,
no ventre de uma mulher!


l.maltez

terça-feira, março 06, 2007

lugar misterioso


deslizei vagarosamente nas palavras frágeis da vida. arrastei o olhar, depois de mim e parei na sombria manhã cinzenta. não entrei. o cansaço deixou-me presa à rua tingida de afectos. bebi apressadamente as sombras exaustas, penetrei num olhar bêbado de maresia e pressenti a aproximação do mar. deambulei sem medos, sem fulgir o dia , deambulei até sentir a voz do mar. centrifuguei o peso da pressão que sentia no corpo, murmurando através do silêncio, o tempo íngreme do instinto que me fazia prosseguir. ocultei com as mãos a cara chamejante, e segui o destino melancolicamente. sabia que chamava por mim, o meu nome era repetido insistentemente, numa voz pálida mas volúpia. o sangue saltava das veias fervente, tinha um aprazível sabor a sal. resvalei até ao limite da efígie, abraçou-me a onda, num terno vacilar.


deixei a maré abrigar-me, fui vicio, amor ardente, excitação, fui eu e ele, dentro do teu olhar. hoje sou o lugar misterioso que dormita dentro de ti.


l.maltez


domingo, fevereiro 25, 2007

cisma




breve o olhar sem brilho

percorre as ruínas do tempo

a noite despede os inúteis,

chega a última hora,

a hora em que a cisma entra

nas decisões da memória


troca por instantes

o intervalo vazio da solução,

pela pousada despedida.


entra na veia das emoções

carrega nos ombros os seus males,

na perda que tanto lamenta


o espírito, branco e sem luz

paira ébrio sobre a noite que desce!



l.maltez

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

sentires




saltei os dias, enquanto minha mãe embalava a máquina do tempo, tentando esquecer os gritos ruidosos. sentia o vai e vem acelerado da vida vazia, que guardava na memória das redes de secretos desejos. carregava nos ombros cactos. picavam-me a pele queimada pelo salitre. não havia dor, o sangue escorria como áscuas. a paixão perseguia um rasto agudo. fulgurava a pressão aterradora do sibilar da cobra pérfida, que atravessava o silêncio, da minha memória. saboreava no outro lado do dia, pitangas que colhia no quintal sem paredes. um rasto de esperma precário, fazia-me recordar erros em salas de tortura. senti-me um lugar. os sonhos transmitiam nevoeiros de palavras embaciadas mas hábeis. desnudava muda o ardor das manhãs. no espelho da casa onde vivia, as sombras tomavam formas de corpos rasgados de mim, enlaçados na sofreguidão do ciúme.

os pássaros com mangonha, debicavam a goiaba pútrida. estendi os dedos e toquei nas aves. sobre a mesa da sala, outras mãos, unidas nas sombras, filhas de estrelas escondidas e sem rostos. mãos que acariciavam o saber místico dos sentires. os dedos dançavam no brilho dos meus olhos, senti-os gélidos, extensos. olhei-os fixamente e saltavam miraculosas cores luminosas. feriu-me o gelo intenso da luz.

por fim, adormeci no sumo do fruto proibido.
entrei no engano das imagem...


l.maltez

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

o espanto da luz




a luz espanta através da sombra
e deixa-me morrer lentamente
ancorada às manhãs frias...


lena maltez


os pássaros deslizam sobre as mãos.
cena perfeita de literatura
para falar da morte
onde a única vigília é a constância
de morrer.

deslizam sobre as mãos
como voo de pena de ave
os duendes de cronos
no artefacto da finitude.

a morte é a luz que espreita suave
sem percebemos a grandeza
da claridade que nos oferece.

josé félix


escrevo palavras numa folha de papel
prendo-as ao fio das manhãs…


l.maltez

recebi do poeta que admiro muito josé félix uma oferta, com um enorme significado, tocou-me bastante, por isso não podia deixar de o partilhar, nesta cabana feita de palavras


obrigada Poeta josé félix

sábado, janeiro 20, 2007

um momento




escutei a tua voz, dentro da melodia
chegou transparente, agarrada à emoção
foi arte pendida num mistério precioso
golfada fresca num trabalho de beleza
foi matéria atenta,
júbilo inesquecível.
potência da razão resplandecente

veio abraçada às palavras,
ritmada, pausada,
foi símbolo delicado que fez luz,
loucura desabrochada de esplendor
viajou triunfante nos textos
sem medos, onde a música se fundiu
até à dilatação no éter do fascínio

irrompeu ramificada
na inocência dos sentires.
debruçou-se inundada
sobre o leve peso dos sonhos,
reclamou à sabedoria
a teia dos gestos etéreos
foi profunda, misteriosa, tocante..

a tua voz vibrou
fez crescer a palavra dita!


l.maltez



escrevi para Luís Gaspar este momento, pela sua dinamização e dedicação à poesia,
uma partilha por inteiro, dentro de uma grande emoção é o que sinto quando o oiço dizer poesia



Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar

(Desligar p.f. A música de fundo para ouvir o poema)

domingo, dezembro 31, 2006

retira-te





as horas atropelam-se velozes

abrem-se portas e janelas…


quero que partas sem deixar rasto,

sem olhares para trás.


envelheceste duro de gestos,

amargo nas palavras

disperso na memória

fugitivo de um corpo, com mágoa

afogado em melancolias,

misterioso, no silêncio da morte

doutras pegadas perdidas


deixa o tempo evaporar a tua visão

na perene memória da ostentação.

acorda fora de ti

esquece o segredo da vida

dilui-te na loucura dos sonhos.

prende esse olhar, às horas impossíveis,

gasta-te na noite crepuscular


o receio de não encontrar um diferente

ficará oculto!



l.maltez

sexta-feira, dezembro 15, 2006

silêncio




bate à porta o silêncio, mando-o entrar,
nas paredes, as sombras reflectidas por um candeeiro de mesa, tomam cor. arrepio-me, sinto frio. cinzento, o silêncio senta-se ao meu lado, segura as minhas mãos gélidas e roxas, sente o meu medo e acaricia-me.
descubro nas sombras, um rosto delineado, parece-me o teu, com os olhos cheios de brilho, num tom esverdeado.
és tu o silêncio!
o silêncio que escuto e me abraça.
irrompem no meu corpo palavras tuas, misturadas com o tiritar do frio que há dentro de mim.
entramos no nevoeiro dos sonhos, eu e o silêncio, de mãos dadas perseguimos um rasto de luz, construído de objectos de um tempo que cresce.
procuro esse tempo, a luz do teu olhar mostra-mo murcho, disforme e carregado de sentires. flutuamos unidos, no crepúsculo embriagado das noites de ninguém. pressenti nos teus gestos o quanto amei e embalamo-nos a dor sem medo de nos destruirmos.

fico para sempre ligada ao silêncio como um pacto de sangue, alimentamo-nos de secretos desejos.


l.maltez

segunda-feira, novembro 20, 2006

sombra dos sentires





acordas junto à sombra dos sentires
perdido no movimento azebre,
fulguras da tristura ocasional
de um tempo passado
sem prazer.

suave na sua mudez,
a terra olha-te em silêncio.

escutas a voz do perigo
entre o bem e o mal,
consegue pousar
do lado da luz
no frio que te dá ordens

do coração saltam feridas
devoradas pelo infinito

já nada sentes
embriagado na música inaudível,
expeles do teu corpo uma seiva amarga,
e imploras para renascer
de um ventre sem rosto

aguardas na praia que a maré vaze,
encontro-te...

dou-te a minha mão!

l.maltez

domingo, outubro 01, 2006

são horas!





são horas...
não de partida, mas de chegada...
uma chegada assim, entre a luz
que encanta a cidade
de um tempo branco.
os sonhos habitavam esse tempo
entre silêncios de angustia,
são horas, horas sem sombras
onde o poema se transforma
dentro do papel da memória.
o dia oxida a boca
desliza no corpo
estremece nas saudades do passado.
as cores mal pousam no dia
respiram pelas areias
onde a cidade descansa.
vozes despertam o vento
ressoam gestos violados
a chegada perde-se na rua
mas leva o sorriso do amor

nada se desfez
no dia que cresceu...


l.maltez




segunda-feira, agosto 28, 2006

e hoje escrevi assim:






H2O


és símbolo químico
que brota da terra

água fresca tatuada na rocha
dás vida à vida

discreta quando habitas nas nuvens,
no horizonte és energia
e fonte do ser.

ouves-me nos desejos
da palavra que não é escrita

circulas no meu sangue e vibras,
deixas que te sinta no coração.

imóvel olho-te
mostras-te rainha no mar,
princesa encantada no rio
que aquece a alma, nos lagos

da tua voz escorrem
hesitantes ternas sombras

olho a tua tonalidade
sinto o desperdício da humanidade

hoje és lágrima
no meu rosto...


l.maltez


terça-feira, agosto 01, 2006

mar




os olhos navegam
no azul intenso,
bailam na ondulação ritmada
entrementes escuto doces canções
de embalar.

mar, nas rochas és meu por instantes
cantas, rodopias
embriagas com o teu cheiro,
esse odor a maresia.

perfumas o dia
sem ocupares lugar
e entras, na minha vida
seguindo-me no tempo...

aprendo sem palavras
os mistérios dos interstícios
invisíveis na solidão,
intacto sorris revolto
na luz que acendes

apago-me, no silêncio do horizonte
onde sonhos crescem,
em possíveis conjugações
caminho entre o teu repouso
invisível às marés sem margens

mar, sei que me esperas
quando olho para ti...


l.maltez


sexta-feira, julho 07, 2006

corda da vida…





sem ocupar lugar rasga caminhos,
tem raízes nos sonhos
colhe da palavra a verdade
e semeia-a nos recortes dos dias

sensível aos prazeres
no sémen imposto e belicoso
onde pinta mistérios
ocultos, sabiamente pela vida

passagem inevitável, na indolência do flagelo
brilha na criação do mundo,
sacudindo opulenta a inocência da terra
esvai-se, no transporte das vozes

vida secreta na limalha da paixão
na solidão dos abismos
efémera certeza da dor num rosto iminente
mágico, o teu poder iriado

a vida, aperta o instante da graça
na corda dos sinais
e a pausa é corda da vida...


l.maltez

quarta-feira, junho 28, 2006

sonho...



sonho...


a noite entrou, encantada
adormeceu-me o corpo
envolveu-se nos meus sonhos
fez-me sentir-te em mim
tremer junto ao teu corpo
beijar teus lábios demoradamente
descobrir o teu gosto
com meu corpo inteiro

fomos sombras ocultas
cheias de movimento
desejos penetrantes e agitados
fomos nós num momento
da duvida que sonha a certeza
o desequilíbrio na infame consciência

a noite fez-nos sentir
o silêncio vestido de branco
a ausência irreal
em forma de sonho
viajamos juntos em sentimentos
e o teu corpo fundiu no meu

de alto a baixo
o suspiro violento
numa voraz paixão
que nos alimentou as veias
da noite que cresceu como louca,
brotavam palavras, nas entrelinhas
um intenso amo-te
no dueto de quem ama

a noite acordou-me
abandonou-me sem sonhos
tu não te encontravas lá
só a cama, branca, amarrotada...


l.maltez



Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar

(Desligar p.f. A música de fundo para ouvir o poema)

terça-feira, junho 20, 2006

meu desejo...





chega o silêncio
no rasto da manhã

o mar seduz-me
com o seu cantar

o olhar toca-me
entre imagens transparentes

por inteiro divido-me
esterilmente perdida

a voz do mar
emerge como um vício

num desejo penetra em mim
o intenso cheiro a maresia

encontro o teu sorriso nas espumas
e sinto-te como um eco reflectido

abro sem limites a fantasia
banhando-me com a força do teu amor

ao teu ritmo danço embriagada
de tão secreto e intenso azul

num intuito, peço-te um beijo …


l.maltez

quinta-feira, junho 15, 2006

labirinto da vida!



sem pausas, como um sopro
brota a vida, numa velocidade
perfurada de energia

a sede de se viver, arrasa lunações
indecisa, cresce carregada de sonhos,
visões salgadas e tatuada de sombras

não tem horas, o tempo lateja
dentro de ilusões hesitantes
sem matar as palavras

tateia a leveza da luz,
embriagando, rastos de feridas
no fissurar do corpo

o amor e a paixão, tocam na vida
os dedos, prendem-se com esforço
às amarras das hesitações

a vida , enfrenta o medo do isolamento
perde-se no rumo que quer seguir
e é empurrada até desaparecer

ao longe acendem-se os horizontes
endurecem as raízes das memórias
que correm gravando de tédio a loucura

a vida, transforma-se num labirinto!


l.maltez

sexta-feira, junho 09, 2006

miragem...



simples loucura
na quente noite de verão
abstrato o tempo
passa a correr
sentimentos demorados
ardem depois das incertezas
plantadas na plenitude
de desejos interiores
no horizonte pressente-se
a chegada do zimbro que arrefece
a noite dos mistérios
onde o vento deixou a nu
o êxtase dos limites
entre o murmúrio do mar
que canta no respirar
das miragens do sonho
esmago o rosto morno
na praia entre o bater das ondas
aguardo a manhã de todos
os relógios da cidade
regresso a casa
destruída de todos os sentires
encharcada dos chuviscos
num corpo que queima
bato a porta, já sem horas
sinto um coração saltar
o teu, que se colou ao meu....

l.maltez



quinta-feira, junho 01, 2006

rompeu o dia...



o dia transformou-se em objecto
adormeceu vagueando pelas ruas
inventando inexplicáveis silêncios
dentro da própria luminosidade

embarcou no tempo que não existia
infindável, preso à insónia dos corpos
entre passos amargos e voláteis
confundido em estranhas paisagens

o dia sobreviveu entre palavras confusas
espesso e cansado de desejos
caminhou numa ausência pesada
soltando rumores infindáveis de paixão

corroeu a manhã rutilante
engoli-o a tarde perfeita
devorou a noite matizada
libertou-se anónimo do tempo

o dia foi dia, dia inesperado
num olhar que lhe sorrio...


l.maltez